PORTO VELHO, RO – Quase oito anos após o crime que chocou o distrito de União Bandeirantes, a justiça rondoniense deu um passo decisivo para o desfecho do caso. A juíza Bruna Borromeu Teixeira P. de Carvalho, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu pronunciar os irmãos Romildo Cardoso Damasceno e Jefferson Cardoso Damasceno pelo assassinato do garimpeiro Jhonata Cardoso Oliveira, ocorrido em agosto de 2018.
Com a decisão, os acusados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular.
O Crime: Emboscada em Via Pública
O homicídio aconteceu na manhã de um sábado, 4 de agosto de 2018. Jhonata, de 32 anos, estava estacionado em seu veículo, um Ford Fusion prata, na Rua Amarildo Cordeiro, quando foi surpreendido pelos atiradores.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os irmãos chegaram em um Fiat Uno branco e efetuaram diversos disparos. A vítima foi atingida no tórax, braço e cabeça, morrendo instantaneamente. Na ocasião, uma testemunha que estava com Jhonata conseguiu desembarcar após o garimpeiro avisar: "Esse pessoal veio para me matar, desce do carro".
Motivação: "Acerto de Contas" por Ouro
As investigações apontaram que o crime foi motivado por vingança. Jhonata havia trabalhado na draga de ouro de Romildo e era acusado pelos irmãos de ter subtraído grandes quantidades do metal precioso.
Depoimentos de familiares da própria vítima confirmaram que houve um histórico de conflitos:
Primeiro incidente: Jhonata teria subtraído 300g de ouro, quitando a dívida posteriormente com a venda de uma chácara.
Segundo incidente: A vítima teria participado de um roubo de mais um quilo de ouro na draga de Romildo e fugido do estado, retornando apenas poucos meses antes de ser executado.
A Decisão Judicial e as Qualificadoras
Na sentença de pronúncia, a magistrada manteve a qualificadora de motivo torpe (vingança por dívida de ouro), mas afastou a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a juíza, não houve o "elemento surpresa" jurídico, uma vez que a vítima já esperava o ataque devido às desavenças anteriores e chegou a alertar a testemunha antes dos tiros.
"A análise detalhada do conjunto probatório demonstra a ausência de elementos concretos que sustentem a qualificadora de que o réu teria agido de forma a dificultar a defesa da vítima, especialmente em razão do contexto de briga entre ambos", destacou o texto jurídico.
Situação dos Acusados
Romildo Cardoso Damasceno: Teve a prisão preventiva mantida para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Ele permanecerá preso até o julgamento.
Jefferson Cardoso Damasceno: Encontra-se foragido. Apesar de ter constituído advogados e assinado procuração, ele não foi localizado pela justiça, sendo intimado da sentença de pronúncia via edital.
O processo agora segue para a fase de preparação do plenário (Art. 422 do CPP), onde acusação e defesa apresentarão o rol de testemunhas que deverão depor diante dos jurados em Porto Velho.
Fonte: Via Rondônia
Publicada em 03 de fevereiro de 2026 às 09:59