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Legislativo venezuelano aprova lei de anistia limitada

Legislativo venezuelano aprova lei de anistia limitada

O Legislativo da Venezuela, controlado pelo partido governista, aprovou nessa quinta-feira (19) um projeto de lei de anistia limitada que, segundo organizações de direitos humanos, não oferece alívio para centenas de presos políticos no país.

A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder no mês passado após a destituição do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos (EUA), cedeu às exigências do governo Trump sobre as vendas de petróleo e libertou centenas de pessoas que grupos de direitos humanos classificam como presos políticos, como parte da normalização das relações entre os países.

O governo sempre negou manter presos políticos e afirma que os detidos cometeram crimes.

A lei foi aprovada após um segundo debate liderado pelo irmão de Delcy, Jorge Rodríguez.

A lei aprovada concede anistia para o envolvimento em protestos políticos e “ações violentas” que ocorreram durante um breve golpe em 2002 e manifestações ou eleições em determinados meses de 2004, 2007, 2009, 2013, 2014, 2017, 2019, 2023, 2024 e 2025. Pessoas condenadas por “rebelião militar”, por envolvimento em eventos em 2019, estão excluídas.

A lei não detalha os crimes exatos que seriam elegíveis para anistia, embora uma versão anterior do projeto de lei estabelecesse vários — incluindo instigação de atividades ilegais, resistência às autoridades, rebelião e traição.

Ela também não devolve os bens dos detidos, não revoga as proibições de exercer cargos públicos por motivos políticos nem cancela as sanções contra veículos de mídia, como pelo menos uma versão anterior da lei teria feito.

Muitos membros da oposição e ex-autoridades dissidentes vivem em outros países para escapar de mandados de prisão que, segundo eles, têm motivação política.

Embora a lei permita que pessoas no exterior nomeiem advogado para apresentar pedido de anistia em seu nome, elas teriam que comparecer pessoalmente à Venezuela para que o pedido fosse concedido. A lei só abrangerá “pessoas que tenham cessado a execução das ações que constituem crimes”, uma especificação que pode deixar de fora muitos que continuaram seu ativismo em outros países. A lei revoga os mandados de prisão internacionais para aqueles que receberam anistia.

Os tribunais devem decidir sobre os pedidos de anistia em até 15 dias, de acordo com a lei.

Delcy Rodríguez sancionou a lei de anistia após sua aprovação pela Assembleia Nacional, descrevendo-a como o início de um processo para oferecer e receber perdão.

Críticas

A lei não concede anistia para aqueles condenados por violações dos direitos humanos, crimes de guerra, assassinato, tráfico de drogas, corrupção ou qualquer pessoa que promova, apoie ou cometa “ações armadas” contra a Venezuela e seu povo por parte de Estados ou entidades estrangeiras.

O governo acusa regularmente membros da oposição de trabalhar com entidades como a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos para prejudicar o país e atacar sua infraestrutura, acusações que a oposição sempre negou.

O procurador-geral Tarek Saab disse à Reuters, na semana passada, que espera que a anistia resulte em “um país 100% pacificado” e também insistiu que aqueles que estão presos cometeram crimes e não eram detidos políticos, repetindo afirmações que fez em 2024 antes de milhares serem presos por participação de protestos em meio a uma eleição presidencial contestada.

O partido no poder tem maioria esmagadora no Legislativo, mas a lei foi apoiada por membros dos partidos da oposição, que conseguiram algumas alterações ao projeto de lei nas sessões da comissão.

A lei “não é perfeita”, disse a deputada Nora Bracho, do partido Un Nuevo Tiempo, pedindo ao governo que cumpra integralmente o projeto de lei, que, segundo ela, “sem dúvida mitigará o sofrimento de muitos venezuelanos”.

O governo afirma que quase 900 pessoas foram libertadas da prisão em mais de um ano, enquanto o grupo de direitos legais Foro Penal contabilizou quase 450 libertações que classifica como prisioneiros políticos desde 8 de janeiro.

Grupos de defesa, incluindo o Foro Penal, criticaram as limitações da lei.

“Se a anistia não é tão ampla quanto gostaríamos que fosse, isso não significa que a luta pela liberdade de todos os presos e perseguidos tenha acabado”, disse o vice-presidente do Foro Penal, Gonzalo Himiob, no X.

“A liberdade total virá quando o aparato e a cultura da repressão política forem desmantelados", acrescentou.

Fonte: Agência Brasil
Publicada em 20 de fevereiro de 2026 às 08:32

 

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