Quando a emoção substitui a estratégia: a decisão de Marcos Rocha e o colapso de um projeto político - Por Rubson Luiz

Quando a emoção substitui a estratégia: a decisão de Marcos Rocha e o colapso de um projeto político - Por Rubson Luiz

A política é implacável com decisões tomadas no calor da emoção. A entrevista concedida pelo governador Coronel Marcos Rocha à SIC TV, na noite desta segunda-feira (12), revelou exatamente isso: uma escolha pessoal transformada em ato político, capaz de comprometer não apenas seu futuro eleitoral, mas todo um projeto de poder cuidadosamente construído ao longo dos últimos anos em Rondônia.

Ao anunciar que não será candidato ao Senado e que permanecerá no comando do Governo até o fim do mandato, Marcos Rocha não apenas surpreendeu o meio político — ele desorganizou, de forma abrupta e pública, o tabuleiro eleitoral de 2026. Não foi uma decisão estratégica, tampouco institucional. Foi uma reação direta a conflitos internos, carregada de ressentimento, rompimentos e sinais claros de desgaste político.

O governador foi explícito ao afirmar que não deixaria o cargo para quem o traiu, em referência direta ao vice-governador Sérgio Gonçalves e ao irmão Júnior Gonçalves. Com essa declaração, Rocha enterrou qualquer possibilidade de transição política dentro do próprio grupo e escancarou um ambiente marcado por desconfiança, vaidades e disputas de poder. A política, naquele momento, deixou de ser construção coletiva e passou a ser ajuste de contas pessoal.

O impacto foi imediato e profundo. Grupos políticos que já se organizavam para a sucessão estadual tiveram seus planos simplesmente descartados. Sérgio Gonçalves trabalhava com a expectativa de assumir o Governo em abril, usando a estrutura administrativa como alicerce para um projeto de reeleição já em andamento nos bastidores. Essa engrenagem foi desmontada sem aviso prévio, deixando aliados desorientados, acordos rompidos e lideranças sem norte.

Desde o início do primeiro mandato, o grupo político de Marcos Rocha era visto como sólido, organizado e com musculatura eleitoral. No entanto, disputas internas, conflitos entre assessores de alto escalão, concentração excessiva de poder e a guerra silenciosa com os irmãos Gonçalves corroeram essa estrutura por dentro. Diante do impasse, o governador escolheu o caminho mais curto — o rompimento —, mas também o mais caro politicamente.

Até pouco tempo atrás, Marcos Rocha reunia todas as condições para disputar uma vaga ao Senado com reais chances de vitória. Controlava o União Brasil em Rondônia, mantinha articulação direta com 52 prefeitos e possuía capital político suficiente para liderar uma eleição majoritária competitiva. Ao desistir, não sepultou apenas um projeto pessoal, mas provocou um efeito dominó dentro do seu próprio núcleo de poder.

Entre as consequências mais evidentes está o fim do sonho das pré-candidaturas da primeira-dama, Luana Rocha, a deputada federal, e do irmão do governador, Sandro Rocha, atual diretor do Detran, a deputado estadual. Ambos os projetos estavam diretamente atrelados à força política que Marcos Rocha teria como candidato ao Senado. Sem essa âncora majoritária, as pré-campanhas perderam sustentação, estrutura e viabilidade eleitoral.

Na prática, o governador desmontou não apenas um grupo político, mas toda uma estratégia de continuidade de poder. Sem um projeto central que organize alianças e dê sentido às candidaturas proporcionais, os acordos se desfazem, a base se fragmenta e o núcleo familiar e político que orbitava o Governo perde capacidade de articulação e influência.

O que se observa agora é um Marcos Rocha politicamente isolado, administrando o Estado até o fim do mandato, mas com peso cada vez menor no tabuleiro eleitoral. Permanecer no cargo garante controle institucional, mas não assegura protagonismo político. Pelo contrário: já se desenha, inclusive, a dificuldade futura até mesmo para indicar um vice em outro grupo político.

A política exige mais do que cargo e autoridade. Exige articulação, frieza, leitura de cenário e capacidade de administrar crises internas sem destruir pontes. Ao priorizar o rompimento em detrimento da composição, Marcos Rocha abriu mão de um projeto coletivo e assumiu o risco de encerrar seu ciclo político de forma solitária.

Resta saber se, até o fim do mandato, o governador conseguirá reconstruir pontes e reorganizar sua base ou se esta decisão será lembrada como o ponto final de um grupo que tinha força, aliados e caminho, mas foi derrotado por suas próprias divisões internas.

O tabuleiro político de Rondônia está em movimento — e, desta vez, não há espaço para erros emocionais.

Rubson Luiz é Jornalista, Editor do Via Rondônia e Estrategista em Marketing Político

Fonte: Rubson Luiz
Publicada em 13 de janeiro de 2026 às 12:49

 

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