Não há limites. Há coisas que passam por humor negro e que são só negro

Não há limites. Há coisas que passam por humor negro e que são só negro

Já passaram duas décadas desde que começou a aventura na comédia, fazendo do humor um dos ingredientes principais da sua vida. Rui Xará não tem medo de dizer o que sente pois o objetivo é claro: defender a sua "dama", nome pelo qual trata o humor. 

O humorista é o entrevistado de hoje do Fama ao Minuto, numa conversa em que partilhou opiniões mais sinceras sobre este mundo.

A entrevista serviu ainda para recordar os seus primeiros passos na indústria e o que mudou no meio passados 20 anos. 

Já contou várias vezes que o primeiro contacto que teve com o mundo humorístico foi na escola, quando contou uma piada sobre freiras, mas quando é que sentiu que queria mesmo fazer carreira neste meio?

Quando senti que gostava de um dia poder divertir as pessoas e ter uma carreira ligada ao humor foi, provavelmente, quando tinha 14/15 anos, quando descobri os Monty Python, mas foi uma coisa algo leviana. Achei que era fixe, mas nunca considerei como uma possibilidade. Para ser realmente honesto, a altura em que ponderei a sério ter uma carreira no humor foi quando tinha o meu bar porque tinha a vontade e tinha como fazê-lo, um espaço que só dependia de mim próprio.

Como foi esse início, como foi a receção das pessoas quando começou a dar os primeiros passos?

Foi bom. Em termos de aceitação do que fazíamos foi bom, mas eu comecei com uma ligeira falsa partida. O meu bar tinha uma tertúlia poética à quarta-feira e eu tentei fazer o mesmo à quinta-feira, uma espécie de tertúlia humorística. Não entrei logo com a ideia de noites de stand-up comedy. Ninguém falava disso em Portugal, quase ninguém sabia o que era a não ser a malta que era fã do humor como eu. Comecei por tentar fazer uma noite em que se liam textos humorísticos. O primeiro texto a ser lido fui eu que li, um texto do livro ‘Para acabar de vez com a cultura’, do Woody Allen. Foi um texto com mais ou menos dez minutos e assim que acabei percebi que aquele não era o caminho. Na altura estava com o João Paulo Rodrigues, que era meu amigo e cliente da casa, e que eu desafiei para começarmos essas noites. Olhei para ele e disse que aquilo não podia ser assim e [decidi] que íamos dizer o que nos apetecesse e o que viesse à cabeça. E começámos…

Fonte: mundo ao minuto
Publicada em 23 de abril de 2019 às 09:39

 

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