Galo da Meia Noite, um desastre anunciado! – Por Rubson Luiz

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Quando escrevi nos últimos dois dias, dois artigos sobre o Galo da Meia Noite, no meu íntimo eu já sabia que não daria para o bloco desfilar. E não é por culpa minha, nem do município que o Galo vai chocar na quinta-feira Gorda de carnaval. É uma série de desacertos, atropelos, incompetência e até certo ponto ganância de sua Diretoria que hoje a instituição está falida.

Tenho aqui uma historinha para contar. Frequentei os ensaios e brinquei no bloco desde o ano 2000 e vi esse bloco crescer como nunca nenhum outro em Porto Velho. Os anos que se seguiram foram o estrelato. Todo mundo queria sair no Galo e todos ajudavam o Galo. Contrário a isso, o Galo se inflou de orgulho e passou a não dar a atenção devida ao seu folião.

E não era por menos: dinheiro vinha de todos os lados, Prefeitura, Estado e até das marcas de cerveja. Junto com o Manelão da Banda e alguns jornalistas, o Galo virou uma potência e achou que esse estrelato seria eterno. Ledo engano: começou a naufragar antes mesmo do velho General bater as botas. A decadência foi questão de tempo.

Hoje não surpreendi quando li a notícia de que o bloco não vai para a quinta-feira de carnaval. Como já havia escrito no artigo anterior, o bloco não cumpriu acordos com a Fazenda Municipal uma dívida de outros carnavais. Hoje a dívida é astronômica e se for para pagar, é melhor vender a entidade ou mesmo entregar a entidade para o Município transformá-la na vedete que ela merece.

Na matéria que vi publicada em um site da cidade,  não sei se pela assessoria do bloco, mais uma vez sobrou para o Município que foi taxado de burocrata e contrário à cultura popular. É claro que isso é um exagero, pois se houve culpado foi a Diretoria que sempre sobreviveu às custas do erário, na maioria de seus carnavais. Tudo era muito fácil até as torneiras se fecharem.

Há pelo menos quatro anos, se acendeu a luz vermelha e o bloco achou que o nome de tradição o poderia ter lhe livrado do fracasso e continuou apostando suas fichas na teimosia. Enfim, o exemplo foi dado, impiedosamente e que se vê agora é o xororô. Quem se beneficia disso? Ninguém, mas quem perde certamente é o carnaval de rua e a tradição popular.

Pelo menos, a Diretoria do bloco terá um longo e triste ano para chorar e repensar no que deu errado. Aliás, tudo há anos está errado e é hora de mudanças. Em 2019, o Galo certamente volta, mas se quiser ir para a avenida primeiramente se limpar com o Fisco, ter um pouco de humildade e trazer novas ideias. Fora isso, seu retorno não será sequer sentido por quem já não acredita no bloco.

Até o carnaval de 2019.

Rubson Luiz é jornalista, editor-chefe do site VIARONDONIA.COM

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