Mourão sobre os 100 dias: “Governo não tem varinha de condão”

Mourão sobre os 100 dias: “Governo não tem varinha de condão”

Logo após celebrar os 100 primeiros dias da gestão de Jair Bolsonaro (PSL), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que “o governo não tem varinha de condão” para resolver tudo imediatamente. Em entrevista à rádio CBN na manhã desta sexta-feira (12/4), ele afirmou que o poder Executivo depende do Congresso, “que tem seu próprio tempo”.

Segundo Mourão, algumas das metas estabelecidas para os primeiros três meses eram factíveis, mas “outras nem tanto”. Levantamento da Agência Lupa, publicado pelo Metrópoles na última quarta-feira (10), aponto que, ao chegar nos 100 dias, o governo Bolsonaro concluiu menos da metade das propostas. Algumas delas foram anunciadas ou completadas na cerimônia para marcar a data, realizada no Palácio do Planalto na quinta-feira (10).

Avaliação do vice-presidente sobre esse primeiro momento apontou para a busca de uma nova maneira de administrar o país, sem recorrer a negociatas. “Temos de aprender ainda mais a melhorar o relacionamento com demais poderes e com entes federados”, avaliou. Ele não usou o termo “velha política”, que irritou políticos e causou atrito com o Congresso durante o período.

Articulação e Previdência
Mourão sugeriu que Bolsonaro deve liderar articulações pela reforma da Previdência, principal projeto do governo em tramitação no Congresso. Para ele, o presidente conhece a forma de atuar no Congresso por ter sido deputado por 28 anos. De acordo com ele, na busca por uma “forma distinta de administrar o país”, Bolsonaro tentou articular com as bancadas temáticas, o que não funcionou, e passou a conversar com partidos para “construir maioria transitória em torno de projetos do governo”.

Enquanto o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), estimou uma aprovação na Casa para setembro, Mourão demonstrou ser mais otimista e acredita no fim do processo por volta de agosto. “Meu aniversário é dia 15. Espero que eles me deem esse presente”, completou, sem especificar se a expectativa era sobre a aprovação na Câmara ou no Senado. Primeiramente, o texto precisa ser aprovado por pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação.

Os principais tópicos que têm causado atrito com parlamentares são as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), aposentadoria rural e, mais recentemente, o sistema de capitalização proposto pela equipe econômica. Mourão disse ainda que, ao receber parlamentares para tratar de outros assuntos, aproveita para “fazer a conquista de corações e mentes” a favor da reforma. Questionado se tem obtido sucesso, ele respondeu que “acredito que sim”.

Fonte: METRÓPOLES
Publicada em 12 de abril de 2019 às 17:31

 

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